Apontado por vizinhos como dono de casarão que desabou e matou 3 na BA nega ser proprietário do imóvel

O homem apontado por vizinhos como dono do casarão que desabou na Ladeira da Soledade, no bairro da Lapinha, em Salvador disse em depoimento à polícia, nesta quarta-feira (26), que não é o proprietário do imóvel. José Ivo da Costa Santos estava sendo procurado para prestar esclarecimentos à polícia e compareceu à delegacia espontaneamente. Ele foi ouvido e liberado.

À polícia, Ivo disse que, juridicamente, o casarão não é dele, porque está em nome de outra pessoa. Ele seria um intermediário que venderia o casarão. Conforme a polícia, Ivo apontou outra pessoa como dona do imóvel, que está sendo procurada para também ser ouvida.

O homem contou ainda que após um desabamemento em 2011, quando algumas telhas caíram, houve uma notificação da Defesa Civil de Salvador (Codesal), e foi ele quem assinou a documento de vistória feita pelo órgão municipal. A polícia informou ainda que só pode apontar um culpado após a conclusão do inquérito, que deve ocorrer em 30 dias, pois as investigações ainda são inciais. Vizinhos e sobreviventes da ocorrência também foram ouvidos.

Casarão desabou sobre casa vizinha, na noite de segunda-feira (23) e deixou 3 mortos (Foto: Juliana Almirante/ G1)

A área onde o casarão caiu é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), que disse que recebeu nesta quarta-feira, um ofício da Codesal que solicitou a vistoria e diagnóstico do imóvel para depois, definir se vai escorar ou demolir parte do o imóvel que ainda está de pé.

A Defesa Civil confirmou que já enviou o ofício e que só após a vistoria do Ipac será possível decidir o futuro da parte do imóvel e, consequentemente, liberar o trânsito da Ladeira da Soledade, que segue interditada.

De acordo com a Superintendência de Tráfego (Transalvador), as opções de tráfego para os motoristas são a Avenida Heitor Dias, a Rua Cônego Pereira, a Ladeira do Funil, a Avenida Bonocô e Ladeira do Arco.

Após o desabamento, o Colégio Estadual Carneiro Ribeiro Filho, que fica perto do casarão, suspendeu as aulas nesta semana, segundo recomendação da Secretaria de Educação. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA) disse que não encontrou registro que indicasse qualquer serviço de manutenção no casarão nos últimos dois anos.

Além da casa que foi atingida, onde três pessoas morreram, mais dois imóveis tiveram de ser evacuados. Conforme a prefeitura de Salvador, três pessoas já receberam benefícios do município como os auxílios funeral e moradia.

Enterro

O idoso José Prospero Deminco, de 73 anos, e os filhos dele, Ana Paula Carreiro Deminco, de 34, e Paulo Ricardo Carneiro Deminco, de 44, que morreram no desabamento, foram enterrados na tarde de terça-feira (25), um dia depois da tragédia.

A cerimônia foi realizada no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, na capital baiana. Dezenas de familiares e amigos das vítimas compareceram ao enterro para prestar as últimas homenagens. A família não quis falar com a imprensa.

Além do idoso e dos dois filhos mortos, outra filha dele, identificada como Simone Deminco, e o filho dela, um adolescente de 13 anos, também estavam na casa. Eles foram retirados de dentro do imóvel por vizinhos, que se mobilizaram logo após o desabamento. Os dois foram levados para o Hospital Geral do Estado (HGE) e receberam alta ainda na terça-feira.

Enterro das vítimas do desabamento do casarão foi realizado no Cemitério do Campo Santo, em Salvador (Foto: Giana Mattiazzi/TV Bahia)

Fonte: G1 Bahia

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